terça-feira, 26 de julho de 2016

Desresumindo o meu "Eu te amo "

Se eu pudesse desresumir o "Eu te amo"...

Eu te diria o quanto gosto do calor do teu corpo envolto no meu nas noites frias entre os cobertores.

Eu te diria que adoro o jeito que você demonstra querer estar perto de mim.

Te diria que mesmo detestando quando você não me responde, sempre fico surpresa ao você repetir o que falei seguido de resposta só pra me garantir de que estou sendo ouvida.

Diria o quanto adoro te olhar na rua, imaginando como te olharia se não te conhecesse e ao mesmo tempo como formamos um par que combina. 

Diria também que admiro essa tua essência, de sonhador , que ao mesmo tempo não recua da luta.

Eu te diria que adoro ser sua ajudante na cozinha, por te achar sexy quando está nela e te axho o dono de um tempero sem igual.

Eu te diria que gosto de como segura minha mão e faz questão de me deixar segura em ser a única dos teus olhos.

Diria tantas coisas que não cabem em um "Eu te amo", não cabe nem em nós... Quem dirá no dicionário inteiro?

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Meus pêsames. Amor.

Quando eu te conheci, eu via a janela sensível da tua alma. De janela à pedra. Pedregulho. Pedregulho que é concreto. Material. Cortante.
Eu te vi partindo, se perdendo nesse mundo cruel e acreditei nas suas promessas e devaneios infinitos de que no futuro você voltaria a ser janela.
Mas você foi e foi e não voltou e me deixou sozinha na expectativa de não segurar o fardo da culpa que foi ter te deixado ir para longe. Agora? Agora somos outros. Você se tornou ninguém no agora e passou a existir só no futuro. Preso as ilusões de que eu estarei lá, tão cintilante quanto fui.
Hoje lágrimas rolam pelo meu rosto sem parar, por saber que eu te vejo louco, insano dentro do próprio egoísmo, incapaz de ver dor, fé, amor.
Vai ver isso é destino, o louco sempre esperou o momento de esquartejar o sensível e agora só sobrou a carcaça, que bate prego na estaca, mas que não sai mais do lugar.

domingo, 15 de maio de 2016

A Mordaça.

A mulher andava.
Chinelos de dedo
Troucha de roupas na cabeça
Tijolo pedurado no pescoço e  
Há na boca uma mordaça.
Que figura estranha. Ele se chocou!
Que nada essa é a carne comum das redondezas.
Mulher de pouco trato, olhos cansados, parece até que não sabe o que é dormir a semanas.
Um bruguelo de menos de dois anos a segue pela estrada.
Somente de fralda, o passo apressado e um olhar curioso.
Era seu filho.
- Mas pra onde diabos essa coitada vai? Se perguntou o homem.
Olhos marejados e distantes.
- Quantos lamentos ela traz no peito?
- Quantos desencontros à tornaram amarga? Continuou a indagar-se.
Ela ainda caminhava. Há Algum lugar ela tinha de chegar.
Ele não se conteve e perguntou: - Olhe! A senhora mesmo! Essa flor que encontrei cabe ali no seu cabelo. Posso? Pegava o seu passo. 
E ela nada.
- Deixe – me acompanha-la por uns instantes?
A mulher parecia tratar – lhe com desdém.
- Ora essas, além de amordaçada ainda é surda? Retrucava o homem.
Ela continuava andando.
O homem de chapéu engraçado continuava a lhe importunar.
- Posso saber o ar da sua graça?
Ela continuava no mesmo passo, pé após pé na saga de quem tem aonde chegar.
Por fim então ele passou-lhe a frente, e a parou. O bruguelo parou também e o observou.
- Por que me ignoras? Perguntou o homem.
Ela então o olha, tira a mordaça e o responde: - De onde eu venho o destino não fala, o presente não escuta e o passado vira navalha, que de pouquinho em pouquinho rasga cada pedaço do que trago no peito.
O homem parou perplexo.
A mulher colocou a mordaça novamente e voltou a andar.
E o seu bruguelo atrás, o passo apressado pra acompanhar a mãe.
Eles sumiram no horizonte da estrada.
O homem foi embora. Mas antes, tirou um pedaço de pano do bolso e botou na boca.
Descobriu finalmente quem a amordaçava.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Sonambulismo

Sabe... Há um processo no qual me enxergo e mais que isso, enxergo tantos outros não me conforta. Me definha, me exaure, me condena ao ceticismo mesquinho, de uma vida sem fronteiras que se ultrapassam.
Sem as fronteiras do "nós", sem a fronteira do "eu" que se percebe e se trata, sem as fronteiras das dimensões mágicas, místicas e infindáveis.
Sem a fronteira da morte. E se não há nem mesmo a morte pra ultraPASSAR, o que há então? O que resta?
Resta sonambular! Sonambular em uma dimensão de cegos, que se condicionam incapazes de enxergar a si mesmos. E o pior! É a credulidade que nós juízes dessa superfície, vazia de "nós" e cheias de "eus" egocêntricos somos senhores da razão. Ousamos dar ou retirar guiando-nos por nossos olhos, os mesmos que estão cegos e só guiam para a escuridão. Despertar nesse cenário, é acordar de um naufrágio, estando eu afundando num oceano de falsas verdades que me entranham de nariz a dentro, me sufocam a cada segundo e me fazem perceber uma incapacidade... Sou eu apenas mais um, dos vários semi-mortos mergulhados nesse mesmo oceano. E me pego ainda dentro do oceano desperto e ao mesmo tempo confuso com o real. Seria nessa horrenda realidade de perdidos que eu gostaria de acordar? Como volto a dormir? Eu quero dormir ou manter-me aqui? Não! Não! Não! Não! Não!
Não há mais querer, há precisar e esse é o meu bote salva-vidas. Mas eu estou afundando e o bote está lá em cima, só preciso nadar até ele. Depois e só então lá suspirarei, com a gratidão de quem voltou a vida, que transcende, que ultrapassa, perpassa, acredita no saber, no sentir, no ser regenerado.

sábado, 26 de março de 2016

quinta-feira, 24 de março de 2016

Sentir-se-ia

Sentir seria deixar-se contagiar pelas emoções. Mais que isso! 
Seria deixar-se fluir na leveza que te força um sorriso sem ao menos te dizer, sorria!

Sentir poderia ser uma vida ao lado de pessoas que te despertam algo, mesmo que seja a dor, que cega você custa chamar de amor.

Sentir é mais! É deixar-se pulsar de coração que ecoa na cabeça, na adrenalina de um iminente perigo, ou apenas de rever um grande amigo. Sentir nos remete ser.

Sentir foi a saudade que se embaralhou em choro junto com a nostalgia alegre que por aqui passou, mas não ficou porque se sentir é efêmero, busquei uma vida para saber que também é atemporal, o sentir vem da maneira que vai e fica em cada instante do tempo como se nunca tivesse deixado sentir-se de um só jeito em ti.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Uno

Um eu sozinho, onde o corpo era casa de si próprio
Onde o pensamento não é proibido, lugar onde moram meus sonhos e também minhas imoralidades e certezas ramificadas que não são deterministas, ou será que são? 
Que o tempo todo cresce, morre, nasce, some, aparece, vai embora pra nunca mais ou fica no mesmo intuito.
Ah! Essa idéia de que o corpo é receptáculo de si mesmo, é santuário de suas confusões, martírios, felicidades contidas e lembranças bonitas, que tem cheiro próprio de infância nostálgica.
Eu me sinto como carangueijo na casca, é só entrar que tudo se vela. Até os gritos que ecoam lá dentro, que querem sair, a sensura da falsa moral age amordaçando minha voz.
O ar que entra, o ar que sai retira e coloca coisas e sentimentos que só mesmo seu balé pode definir ou mesmo confundir. 
Tem coisas que você aceita e o mundo não, mas dentro só você ouve... preocupar - se com o ato de pensar algo reprovável seria tolice, e se o Universo te explica que não? Você insiste em manter o pensamento, finge que não pensa mais, ou aprende a pensar sobre uma nova perspectiva?
E quando esse um só é dois? Dois seres distintos, um é criador outro é criatura.
A criatura nunca foi sua, ela é dela mesma ou talvez nem isso... ela é do vazio que contempla o tudo. Ela é visceral, e te toma. Você se torna raiz, pra que ela possa crescer e mesmo que você se incomode, você reluta o incomodo, por que é a sensação menos palpável que se poderia tentar explicar, você só sabe que é intenso, é o grande num pequeno que te engole em frente a um cuco quebrado que volta os ponteiros e apaga de um tudo pra recomeçar, menos a tua memória que é expectadora das proezas natas desse mundo terra.
Só depois quando o desejo do lembrar se torna a razão do esquecer, é que sem querer o teu ser sopra que o amor é flor que brota na Serra de pedras de nativos do mundo espelho, e que o que vale tá no pouco, tá no simples que é tão complexo de alcançar que vivemos como brinquedo torto repetitivo e chato.
Ah! Mas a crença existe, um dia tudo há de mudar, nem que seja o nada e aí tudo fez sentido.