sexta-feira, 6 de maio de 2016

Sonambulismo

Sabe... Há um processo no qual me enxergo e mais que isso, enxergo tantos outros não me conforta. Me definha, me exaure, me condena ao ceticismo mesquinho, de uma vida sem fronteiras que se ultrapassam.
Sem as fronteiras do "nós", sem a fronteira do "eu" que se percebe e se trata, sem as fronteiras das dimensões mágicas, místicas e infindáveis.
Sem a fronteira da morte. E se não há nem mesmo a morte pra ultraPASSAR, o que há então? O que resta?
Resta sonambular! Sonambular em uma dimensão de cegos, que se condicionam incapazes de enxergar a si mesmos. E o pior! É a credulidade que nós juízes dessa superfície, vazia de "nós" e cheias de "eus" egocêntricos somos senhores da razão. Ousamos dar ou retirar guiando-nos por nossos olhos, os mesmos que estão cegos e só guiam para a escuridão. Despertar nesse cenário, é acordar de um naufrágio, estando eu afundando num oceano de falsas verdades que me entranham de nariz a dentro, me sufocam a cada segundo e me fazem perceber uma incapacidade... Sou eu apenas mais um, dos vários semi-mortos mergulhados nesse mesmo oceano. E me pego ainda dentro do oceano desperto e ao mesmo tempo confuso com o real. Seria nessa horrenda realidade de perdidos que eu gostaria de acordar? Como volto a dormir? Eu quero dormir ou manter-me aqui? Não! Não! Não! Não! Não!
Não há mais querer, há precisar e esse é o meu bote salva-vidas. Mas eu estou afundando e o bote está lá em cima, só preciso nadar até ele. Depois e só então lá suspirarei, com a gratidão de quem voltou a vida, que transcende, que ultrapassa, perpassa, acredita no saber, no sentir, no ser regenerado.

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