A tua posse me consome. Me inibe. Eu mulher, deixo-me assim levar por teu ingrato sentimento, teu jeito tosco de dizer que ama. Contagiante desespero, infame sentimento ciumento. Guarda -me numa gaveta, amedrontado que outros me vejam. Talvez não perceba o limite que te cabe da minha liberdade. A certeza que não vou embora já não te basta, nunca bastou. Não há disfarce na tua insegurança, no teu desejo de que eu não escoe por entre teus dedos. A tua loucura me nega, me projeta, me castra, me reseta. Podias conter-se com o meu amor, e a certeza de que honro cada compromisso do qual me visto. Mas queres também minhas asas, tiras meu sossego. Me ocupo a mente indagando por que não confias. Ousa pouco decifrar-me e exita em acreditar que posso ser tua caso eu deseje, e que assim desejo. Preferes o poder, tentas a sorte de subestimar minha honestidade, e me oferece calabouço trajado de palácio.