sexta-feira, 4 de março de 2016

Uno

Um eu sozinho, onde o corpo era casa de si próprio
Onde o pensamento não é proibido, lugar onde moram meus sonhos e também minhas imoralidades e certezas ramificadas que não são deterministas, ou será que são? 
Que o tempo todo cresce, morre, nasce, some, aparece, vai embora pra nunca mais ou fica no mesmo intuito.
Ah! Essa idéia de que o corpo é receptáculo de si mesmo, é santuário de suas confusões, martírios, felicidades contidas e lembranças bonitas, que tem cheiro próprio de infância nostálgica.
Eu me sinto como carangueijo na casca, é só entrar que tudo se vela. Até os gritos que ecoam lá dentro, que querem sair, a sensura da falsa moral age amordaçando minha voz.
O ar que entra, o ar que sai retira e coloca coisas e sentimentos que só mesmo seu balé pode definir ou mesmo confundir. 
Tem coisas que você aceita e o mundo não, mas dentro só você ouve... preocupar - se com o ato de pensar algo reprovável seria tolice, e se o Universo te explica que não? Você insiste em manter o pensamento, finge que não pensa mais, ou aprende a pensar sobre uma nova perspectiva?
E quando esse um só é dois? Dois seres distintos, um é criador outro é criatura.
A criatura nunca foi sua, ela é dela mesma ou talvez nem isso... ela é do vazio que contempla o tudo. Ela é visceral, e te toma. Você se torna raiz, pra que ela possa crescer e mesmo que você se incomode, você reluta o incomodo, por que é a sensação menos palpável que se poderia tentar explicar, você só sabe que é intenso, é o grande num pequeno que te engole em frente a um cuco quebrado que volta os ponteiros e apaga de um tudo pra recomeçar, menos a tua memória que é expectadora das proezas natas desse mundo terra.
Só depois quando o desejo do lembrar se torna a razão do esquecer, é que sem querer o teu ser sopra que o amor é flor que brota na Serra de pedras de nativos do mundo espelho, e que o que vale tá no pouco, tá no simples que é tão complexo de alcançar que vivemos como brinquedo torto repetitivo e chato.
Ah! Mas a crença existe, um dia tudo há de mudar, nem que seja o nada e aí tudo fez sentido.

Nenhum comentário:

Postar um comentário