Sentada na porta do quintal observava a imensidão de tudo. "Tudo" esse que corriqueiramente me passa despercebido na aceleração dos novos dias. Enquanto fitava o topo alto da única árvore do meu quintal, eu podia ver as cores hipnotizantes daquele dantesco céu. Levei um tempo a admirar tudo isso. Fim de tarde, tons quentes em um dia tropical úmido, nuvens se mesclavam a paleta de cores que se reinventavam ali, diante de mim, o rosa e laranja daquele dia que se esvaia, se transformando em roxo e azul. Um azul negro, que por sua vez desvelava as luzes da noite, aquelas as quais tão singelas se movem quase que despercebidas dia após dia. Além das estrelas do céu, as estrelas que pairavam no meu quintal. Vagalumes brilhando, pequenos ignorantes de sua tamanha beleza. A brisa que trazia o cheiro do orvalho, o frio da noite, o canto das cigarras, também levava todos os meus devaneios pelo tempo. É preciso escuridão pra enxergarmos além das luzes que criamos, pra sentirmos os detalhes da vida que nos sopra segundo a segundo. Às luzes que compartilham espaço quando o sol se cala e que nos provoca dentro da nossa própria paleta de cores.