De
nada me vale essa vaidade que há tempos não possuo. Por que me afeta tanto não
alimentá-la? Por que escuto seus gritos histéricos de fome, presos dentro das
paredes grossas que construí, achando que seria suficiente para esquecê-la e
deixá-la morrer a míngua.
Aqueles
gritos me dilaceravam, já estava cansada, minha respiração ofegava, me encolhi
no canto de uma sala, pus-me a chorar de cabeça baixa, fechei os olhos por
alguns instantes. Fiquei em silêncio para ouvir o que a vaidade dizia. Não
escutei nada, a vaidade se calou.
Minha
visão estava turva, por causa das lágrimas. Voltei a respirar. Um aperto no
peito. Levantei os olhos, vi a vaidade pelas grades. Olhei nos seus olhos e me
aborreci. Perguntei então: - Por que me olhas com compaixão?
Ela
respondeu: - Meus olhos são apenas reflexo dos seus.
Eu
estava numa sala branca fechada, com uma cama de lençóis claros e de frente
para ela um espelho no qual eu me olhava.
Mariana Nascimento

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